A chegada do Lorenzo, o príncipe que mudou a vida da Aline.

A chegada do Lorenzo trouxe consigo um misto de emoções, acontecimentos, descobertas, choros e muita alegria.

Eu estava numa fase bem corrida da minha vida. Faltava pouco mais de um semestre para concluir a faculdade e havia acabado de conseguir um novo emprego, emprego este, que eu almejava há muito tempo.

Foi no meio dessa correria que percebi que a menstruação estava atrasada. Pensei que poderia ser bobagem minha, pois isso já acontecera algumas vezes e não liguei muito. Com o passar dos dias realizei alguns exames de sangue (rotina mesmo) e os resultados vieram com alterações, o que me motivou (juntamente com o atraso da menstruação) a fazer o Beta (Exame específico para constatar gravidez). Resultado: POSITIVO! Estava lá, não tinha dúvidas, eu estava GRÁVIDA.

Inicialmente levei um susto. Parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo: final da faculdade, emprego novo e agora um bebê! Fiquei desesperada! Mas aos poucos fui acalmando o meu coração e aceitando a ideia, afinal, eu sempre quis ser mãe. É maravilhoso imaginar o fato de amar um ser desde a sua formação e dar a ele todo o meu cuidado e carinho. A gravidez não foi planejada, porém eu estava certa de que amaria o meu bebê e cuidaria dele com o maior amor do mundo.

Com o apoio de algumas pessoas fui me familiarizando com a idéia. Cada dia que passava eu sonhava com o meu bebê, pensava: Poxa, poderia ser um menino. Não que eu fosse ficar triste com a chegada de uma menina, mas por eu não sustentar uma pegada mais feminina de muito “frufru”, além de gostar de roupas mais despojadas como calça jeans e camiseta.  Queria vê-lo jogando bola, vesti-lo todo lindo e estiloso, acho que seria mais prático.

Comecei a fazer as mudanças necessárias para a gravidez. Iniciei o pré-natal, mudei minha alimentação, passei a dormir o máximo que podia e sempre que surgia uma oportunidade fazia uma caminhada e tentava me manter ativa.

A primeira ecografia que fiz foi à morfológica, com 12 semanas. Nela já deu pra ver o sexo do bebê. Fiquei tão feliz! Era um menino! Tive que me conter, pois o ecografista falou que não poderia afirmar com 100% de certeza nesse momento.  Mas não deu outra, na outra ecografia que fiz, veio certeza: era realmente um menino. Melhor ainda: estava se desenvolvendo super bem e muito saudável.

Quando tive a certeza de que era um menino comecei a pensar em alguns nomes e um colega da faculdade que até hoje é um amigão me sugeriu o nome Lorenzo. Achei lindo e de primeira decidi que esse seria o nome do meu príncipe.

Aos poucos fui contando a novidade para as pessoas mais próximas a mim, o pessoal do trabalho foi bem solidário à notícia, os professores da faculdade sempre compreensivos ao perceberem o meu esforço quando alguma vezes não conseguia ir para a faculdade por estar muito cansada e pela correria do dia a dia. Sempre estive cercada de pessoas que me apoiavam e isso era um enorme estímulo.

Quando eu estava quase completando 21 semanas de gestação, percebi que não sentia o Lorenzo se mexer. Fiquei preocupada e liguei para desabafar com uma amiga. Ela, já sendo uma mãe experiente, me tranquilizou e disse que nos próximos dias eu sentiria. No dia seguinte pela manhã eu senti a sensação mais gostosa em toda minha vida: ele mexendo sem parar durante uns 2 minutos. Deve ter pensando “vou mexer pra mamãe saber que estou bem…! (risos) A partir daí não parou mais. Estava sempre ativo! Foi quando eu parei para pensar na via de parto e cheguei à conclusão: quero um parto normal.

Já tinha passado por uma experiência cirúrgica muito ruim. Pensei: para que fazer uma cesárea? Sendo que poderia trazê-lo por meio natural, sem cortes, anestesias e procedimentos desnecessários?! Sim, eu iria sentir as dores, mas seria forte o suficiente para parir o meu bebê da forma mais natural possível.

Quando estávamos com aproximadamente com 24 semanas fui fazer uma ecografia morfológica e vi que o bebê estava pélvico, super tranquilo e com as mãozinhas na bochecha, e a mamãe aqui, só amores. Fiquei calma, acreditei que ele poderia mudar sua posição nas próximas semanas e desencanei. As semanas foram se passando, fizemos outra ecografia e ele continuava sentadinho, e mesmo sendo muito ativo na barriga, não mudou sua posição.

Quando estava se aproximando da DPP (Data provável do parto), minha GO, que sempre foi uma querida, me incentivando a ter um parto normal, pediu a última ecografia do pré-natal e lá estava o Lorenzo, na mesma posição. Tentamos algumas manobras para virá-lo durante a gestação, porém sem sucesso. A médica me trouxe a notícia que eu não estava preparada, o Lorenzo muito provavelmente nasceria de cesárea. Apesar de ter me indicado a cesárea, ela me tranquilizou, falando que o bebê poderia virar com o trabalho de parto, e que nós esperaríamos.

Passaram-se aproximadamente 5 dias , e em 23 de junho de 2014, segunda-feira, pela manhã fui ao banheiro fazer xixi… Quando retornei ao meu quarto para ficar mais um tempo deitada veio um jato de líquido: a bolsa tinha estourado.

Tomei banho e fui ao hospital. Chegando lá começaram as contrações uma atrás da outra… O médico fez o toque e já estava com 6 cm de dilatação. Então ele resolveu fazer uma ecografia pra ter certeza da posição do bebê e Lorenzo ainda estava pélvico, com isso ele decidiu fazer à cesárea, alegando que eu já estava perdendo muito liquido e sangue. Hoje sei que de fato, o motivo da cesárea foi o bebê pélvico. Afinal nem todos os médicos estão preparados para lidar com um parto normal de bebê pélvico, mas a razão dele não me informar o real motivo, não sei.

Fui para a sala de cirurgia e fiz à cesárea. Não peguei meu bebê de imediato no colo. Aliás, mal vi seu rostinho. Assim que terminou fui pro pós-operatório e horas depois veio à temida cefaleia pós-raquidiana. Começou com uma dorzinha de cabeça e depois se tornou a dor física mais terrível que senti até hoje em toda minha vida. Essa dor durou mais ou menos 20 dias, a única coisa que aliviava era ficar deitada sem nem ao menos virar a cabeça de lado. Qualquer movimento a dor vinha com tanta intensidade que eu pensava que iria morrer. Desses 20 dias de dor insuportável, cinco eu tive que passar no hospital com medicações e soro. Quando fui para casa, mal pegava meu bebe. Sentia dor de cabeça até pra ir ao banheiro, era totalmente desconfortável e agonizante. Eu não conseguia fazer absolutamente nada! Fiquei tão triste, chorava por conta da dor, por não poder curtir e cuidar do meu bebê como ele merecia. Foram muitas confusões de sentimentos, acredito que por conta desses transtornos eu acabei adquirindo um Baby blues (Depressão pós-parto). Eu sempre quis um parto normal, não me importava em sentir dores das contrações e expulsivo. Não sei mensurar quão diferente seria a cefaleia da dor do parto, mas escolheria mil vezes passar pela dor do parto. Porque eu tive essa cefaleia aguda? Não sei, eu segui todas as recomendações médicas no pós-operatório.     Foram dias difíceis e de muita dor, mas o tempo foi passando e aquela dor de cabeça foi sumindo e a partir daí que realmente comecei a curtir meu lindo anjo. Não tinha o hábito de passar noites em claro, de trocar fraldas e tudo mais, afinal eu era mamãe de primeira viagem. O instinto materno tomou conta de mim e aprendi a cuidar do meu bebê, a identificar os motivos de seus choros, a posição que ele mais gostava de ficar no colo… E assim o tempo foi passando e o amor pelo meu bebê só aumentando.

O momento mais difícil foi retornar ao trabalho quando ele ainda tinha 3 meses.Tive que antecipar minha licença-maternidade em quase um mês, por conta dos cansaços e desconfortos finais da gestação. Apesar de não ter tido o parto normal como eu tanto queria, eu consegui esperar o tempo do Lorenzo e ele escolheu o seu dia para vir ao mundo. Hoje tento estudar sobre a criação que desejo lhe dar, tento seguir a maternidade consciente, e estar sempre atenta às necessidades dele. Quando ele chora e eu o pego, e logo ele se acalma. Não gosto de vê-lo chorar, me sinto a pessoa mais importante do mundo em conseguir acalmá-lo. Tento sempre o atender quando me solicita.

Minha gravidez não foi planejada, mas apesar de tudo, foi uma gravidez muito tranquila. Não tive o parto que eu queria, tive um resguardo com muita dor, mas a maternidade só tem me ensinado a ser uma pessoa melhor. Aprendi a abrir mão de minhas vontades em detrimento do meu bebê e a cada dia aprendo mais com ele.

Meu filho é a maior benção que recebi. Ele me ensinou a amar incondicionalmente, com ele pude amadurecer, a perceber que cuidar de alguém com carinho e atenção é importante, e como é viver em função de outra pessoa. Lorenzo é o meu anjo, meu amor eterno, meu príncipe.

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