Las Vegas com um bebê de 4 meses

Uma Aventura por Las vegas, Zion Park, Monument Valley e Grand Canyon com um bebê de 4 meses no verão dos EUA em 21 dias: Será que dá?

Simone Ritter

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A viagem, saindo de Brasília, tanto de ida quanto de volta, durou pouco mais de 24h com conexão no Panamá. Arthur, que havia feito 4 meses a pouco tempo, estava em aleitamento materno exclusivo e livre demanda, ótimo, menos tralhas para carregar, pois é importante você caprichar em roupas adicionais e muitas fraldas, o dobro do que costuma usar.

Na ida ele foi no sling (modelo wrap), revezando entre papai e mamãe. Excelente, pois assim ficamos com as mãos livres e o bebê aconchegado no colinho. Chegamos com antecedência de 3 horas ao guichê da Copa Airlines de Brasília para fazer o check-in e garantir a fileira 5, de assentos preferenciais, que tem maior espaço para as pernas e movimentação com o bebê. Recomendo atentar a isso, foi muito bom.

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Arthur se portou lindamente: mamava, dormia, brincava e não parecia nada desconfortável, muito pelo contrário. Tentei aplicar a dica de coloca-lo para mamar na hora da decolagem, mas ele estava dormindo, então, decolamos com ele assim mesmo, num sono gostoso no aconchego do sling. Na aterrisagem a mesma coisa, bem tranquilo. Nem sentiu o impacto da pressão, não chorou em nenhum momento, na verdade parecia muito feliz, ria pra todos no avião quando estava acordado e quando dormia era um anjo.

Visitamos Las Vegas no final de maio e início de junho, em pleno verão no deserto. Estava muito calor e a umidade relativa do ar era menos de 10%. Em geral os hotéis mantinham um ar muito gelado, enquanto na rua a temperatura era sufocante, por volta dos 40ºC.

Nos hospedamos no Aria Hotel, que era maravilhoso, super moderno, mas, infelizmente, um dos que possuía o ar mais gélido de todos, eu usava casacos e mesmo assim logo tive dor de garganta por conta do clima invernal.

Os hotéis, embora próximos na Strip, eram longes para irmos caminhando, considerando que estávamos com um bebê e um casal de pessoas de mais idade.

Antes da viagem pesquisamos dicas e muitas pessoas diziam que não valia a pena alugar um carro, pois tudo era perto. Ledo engano. Devíamos ter locado um carro para fazer os caminhos entre os hotéis e assim poupar o bebê, uma vez que o aluguel é muito acessível, os hotéis não cobram estacionamento e o valor de um táxi era mais caro que o aluguel de uma diária em um carro econômico. Logo: alugue um carro, nem que seja daqueles pequenos e econômicos.

Arthur, com seus 4 meses pesava mais de 7kg, no início tentamos usar apenas sling, e o Ergobaby (um tipo de carregador de bebês ergonômico, compramos na Toys “R” Us o modelo performance, mas indico se organizar e comprar com antecedência direto no site da Ergobaby e conseguirás desconto de 30% em alguns modelos). Percebemos que o Arthur se sentia incomodado, talvez pelo calor, pela secura ou pela pouca movimentação e os avós também queriam ajudar mais com o bebê.

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Compramos um carrinho tipo guarda-chuva, Chicco Eccho, um modelo leve, fácil de fechar e abrir e que inclina quase totalmente, excelente para viagens, indico muito. Encontramos na Target, loja física que ficava retirada do grande “burburinho” da Strip (lá também tem a Toys “R” Us e a TJMaxx). Após a compra do carrinho, as coisas funcionaram melhor, pois andávamos com cobertinhas para usar dentro dos hotéis e outros acessórios para melhorar a aclimatação e quando o Arthur dormia ele ficava bem confortável, e os vovôs ficavam muito felizes de “dirigir” o carrinho do neto. Aqui um ponto em questão: não há as tradicionais lojas de compras para bebês em Las Vegas… não havia Babies“R”Us. As farmácias, tipo CVs e Walgreeens, eram mais caras que as convencionais no restante dos Estados Unidos e com o dólar alto não valia a pena comprar muita coisa.

A maior parte das compras de roupas e acessórios fizemos pela internet (direto do site da Carters e Chicco) e mandamos entregar no hotel, foi conveniente, mas caro, lá se foram quase 100 dólares para receber as mercadorias, pois o Aria cobrava por pacote recebido.

Bom, voltando a falar em aclimatação, toda entrada de hotéis possui as portas duplas, para nos acostumarmos às mudanças de temperatura, sugiro realmente ficar um tempinho nesse ambiente, minimizando o impacto da diferença do clima.

Os hotéis não possuem um “espaço família” ou mesmo um fraldário com local para amamentar, trocar e descansar, semelhante ao que existe nos shoppings centers do Brasil. O máximo que havia era o trocador Koala Care que muitas vezes ficava acoplado ao banheiro de deficientes físicos e quase sempre no toalete feminino.

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A estrutura era pouca, mas funcionava quando existia, pois nem todos os banheiros possuíam o trocador. Outra coisa chata: não havia espaços para amamentar… era uma peregrinação para achar uma simples cadeira para sentar e amamentar, com exceção dos locais de café e restaurantes; eu, muitas vezes, queria apenas amamentar  e como adotamos o aleitamento em livre demanda, pobre Arthur… algumas vezes tinha de distraí-lo até achar um lugar para poder amamenta-lo e sim, algumas vezes o fiz em escadas que encontrava no caminho.

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No último dia em Vegas, antes de ir para o interior, descobrimos uma dica super legal, que teria abrandado em muito a chatice das caminhadas no calor: o Hotel Aria possui seu próprio Monorail, ligando os hóspedes do Aria, do Monte Carlo e do famoso hotel Bellagio… é uma espécie de trem de superfície que faz o transporte gratuito, de excelente qualidade, com saídas a cada uns 2 minutos e o melhor: deixam dentro do estabelecimento! Ganha-se tempo e conforto!

Após 5 dias em Las Vegas, com a enorme diferença de temperatura entre os ambientes internos e externos, meu pequeno bebê ficou resfriado, com nariz congestionado, mesmo eu lubrificando as narinas dele com  soro fisiológico várias vezes ao dia, minimizando os danos do clima seco. Eu havia levado um pouco de soro fisiológico para precaução, mas já estava acabando e nas farmácias não conseguimos encontrar  o soro (saline), apenas medicamentos que além de soro tinham outros compostos, os atendentes não entendiam que poderia ter um soro fisiológico purinho e baratinho. Então, anote aí: levar um tubo grande de soro fisiológico quando for visitar o deserto e seringas de 1ml para aplicar o soro; 0,5ml em cada narina são suficientes.

Bom, seguimos viagem para o interior, para isso alugamos o carro Ford Explorer, uma maravilha: enorme e muito confortável. É bom atentar ao tamanho do porta-malas quando se viaja com bebês, eles usam muito espaço!

Compramos a cadeirinha para o carro no caminho, fora de Las Vegas, numa Babies “R” Us. Super fácil de instalar, escolhemos o modelo Chicco Nextfit, pois servia desde bebês com mais de 2Kg até eles terem 30kg; um pouco cara, mas muito segura e no Brasil é bem mais cara ainda, então, valeu a pena, até porque não entra na cota alfandegária, pois é item essencial do bebê.

Como estávamos de viagem para o interior, resolvemos passar num hospital para avaliar o resfriado do bebê… lá se foram umas 3 horas e $ 900 dólares. Para um simples nariz escorrendo os médicos queriam fazer raio x do pulmão, e vários outros exames. Não autorizei, oras, tinham visto que o pulmão estava limpinho, já tinham dito que era apenas uma coriza normal por conta da mudança de clima; fazer raio X pra quê? Nada de judiarem o guri. Seguimos viagem.

Em um dia no interior, com clima ameno e usando o soro fisiológico + Nosefrida, Arthur já estava ótimo! Perfeito! (recomendo ter um Nosefrida, é uma forma muito fácil de limpar o nariz obstruído do bebê).

No interior nosso baby ficava praticamente só no seu carregador, grudadinho no papai e na mamãe. Visitamos o Lake Powell e o Zion National Park no distrito de Utah; o Monument Valley Navajo Tribal Park, em Arizona; o Grand Canyon e voltamos a Las Vegas para mais dois dias e retorno ao Brasil.

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Gostamos muito de trekking, então, visitando os parques fizemos várias trilhas com o Arthur, embalado no seu Ergobaby. Em geral trilhas fáceis, até pessoas sem experiência poderiam fazer tranquilamente. Como no interior o clima em geral era mais agradável, os passeios eram excelentes; apenas levávamos a mochila de fraldas e pronto! Mas é essencial ter um carregador apropriado para o bebê.

Quem quiser mais dicas sobre as cidades e parques que visitamos, é só perguntar nos comentários do post.

 

Na volta a Las Vegas, ficamos apenas 2 dias na cidade. Mas, agora a coisa foi diferente, pois estávamos de carro. Visitamos alguns hotéis que faltavam, fomos ao Outlet South (espaço fechado e com ar condicionado, bom para o bebê), de carro era outra história, muito mais confortável e prazeroso.

Retorno ao Brasil

Estávamos voltando com 3 malas, carrinho e mais a cadeirinha do carro.  No aeroporto de LV não havia serviço de embalagem das malas, aqueles security bag. Felizmente a Copa oferecia gratuitamente sacos plásticos para embalar a cadeirinha do bebê e o carrinho. Este, foi conosco até a porta da aeronave e depois o pegamos no Panamá.

Bom, aventura concluída… podemos avaliar que é possível sim uma viagem com um bebê de 4 meses para o deserto dos Estados Unidos, mesmo que seja no calor do verão, com temperaturas altas de abril até agosto (claro, se puder, evite esse período), mas seguem abaixo algumas ressalvas.

1) Leve roupas leves e com proteção solar para o bebê, inclusive chapéu, uma vez que bebês não podem usar filtro solar antes dos 6 meses;

2) pesquise se o hotel onde ficará hospedado em Las Vegas tem passagem interna para outros hotéis ou se possui o serviço de Monorail interligando os hotéis ou qualquer transporte interno;

3) faça seguro de viagem e alugue um carro para fazer os caminhos entre os hotéis e pontos turísticos;

4) leve um soro fisiológico de 500ml, além de usar no bebê várias vezes ao dia, os adultos também devem usar, isso minimiza os danos do clima seco;

5) use um carregador de bebês confortável e ergonômico (Ergobaby ou sling), mas tenha também um carrinho com inclinação deitada de assento, bebês com menos de 6 meses não podem sentar;

6) ofereça muito leitinho, várias vezes ao dia, pois o bebê precisa estar bem hidratado, caso ele não aceitar, verifique com antecedência com seu pediatra sobre dar água ao bebê;

7) faça a viagem sem pressa, é o bebê quem dita os horários, ele é o único que tem necessidades e que não pode falar quais são;

8) Las Vegas será linda, como é, o bebê só tornará tudo mais divertido! Have fun and Welcome to Vegas baby!

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