Crianças Francesas comem de tudo

A Canadense Karen decide passar 1 ano com sua família na França, país natal de seu marido. Nesse período ela observa que a postura dos Franceses em relação a comida é totalmente diferente do estilo norte-americano. Depois de muita observação e gafes, ela tenta adaptar as regras Francesas às suas filhas Sophie e Claire (5 e 2 anos respectivamente), mudando completamente a forma com que elas encaram os alimentos, bem como o seu preparo e consumo. Todo esse estudo resultou em 10 regras de ouro para comer de maneira saudável e feliz. Vale a pena a leitura, até mesmo para conhecer sobre essa cultura fascinante que é a francesa.  O livro também traz muitas receitinhas legais e fáceis de preparar. 

Por que as regras são úteis?

  • Porque simplificam a vida. Elas criam limites para que você reduza a impulsividade e não tenha que despender tanto na imposição de autoridade.
  • Elas criam uma estrutura, porque muitas vezes respeitar as regras exige criação de rotinas, o que, por sua vez, dá às crianças uma sensação de segurança e, se elas se sentem mais seguras, maiores são as chances de que comam melhor.
  • Regras oferecem orientação quanto à regulação de seus hábitos alimentares e à escolha de opções saudáveis.
  • Regras minimizam a necessidade de negociação e de discussão com os filhos.

Essas regras não são fixas e imutáveis. Funcionam mais como objetivos, ou hábitos, e certamente a autora não sugere que todas as famílias sigam as mesma regra, pois nem sempre elas podem ser adequadas  ou sequer possíveis. O intuito é que essas regras sirvam de estímulo para que você construa suas próprias ideias sobre o que funciona melhor pra sua família.

Regra de ouro nº 1  – Pais e mães, vocês são responsáveis pela educação alimentar de seus filhos.

O objetivo não é controlar o que as crianças comem, mas ensiná-las como se alimentar bem.

Regra de ouro nº 2  – Evite comer por motivos emocionais. Comida não é chupeta, nem distração, nem brinquedo, nem suborno, nem recompensa, nem substituto da disciplina.

As crianças francesas, como o seus pais, raramente comem por motivos emocionais. Eles não possuem o hábito de beliscar.  Embora adorem oferecer guloseimas saborosas aos filhos, não tendem a fazer isso em resposta às necessidades emocionais deles.

Não ofereça doces para uma criança que está aborrecida, chorosa ou entediada. Pense em outra maneira de acalmar ou premiar seus filhos; eles, por sua vez, aprenderão a regular suas próprias emoções sem o uso da comida.

Regra de ouro nº 3 – Os pais planejam os cardápios e os horários das refeições. As crianças comem o que os adultos comem; nada de substitutos e nada de lanchinhos rápidos de última hora.

Programar o horário das refeições não significa que existe um modelo ou padrão único para todos. Pelo contrário, instituir essa regra é uma maneira de pensar em qual é a melhor configuração para a sua família, de modo que você consiga atingir seus objetivos.

Regra de ouro nº 4 – A comida é social. Faça as refeições com a família, à mesa, sem distrações. 

Os franceses acreditam que comer é um ato intrinsecamente social. A refeição em família é um ritual diário que consolida os laços das famílias francesas. Tudo bem, mas o fato de que a comida é social não significa apenas comer juntos. Significa também, interagir, aprender e compartilhar ideias. As refeições em família são momentos durante os quais as crianças aprendem sobre o mundo e importantes habilidades sociais.

Comer juntos não significa comer juntos qualquer coisa. Se quisermos que as crianças aprendam a comer e a gostar de alimentos saudáveis, elas precisam de experiências repetidas, positivas e precoces com esses alimentos. Lembre-se crianças fazem o que a gente faz e não o que a gente diz. Portanto, dê exemplos de bons hábitos alimentares e de atitudes positivas em relação à comida.

Regra de ouro nº 5 –  Coma verduras de todas as cores do arco-iris. Não coma o mesmo prato mais de uma vez por semana.

Naturalmente, as crianças do mundo inteiro – e os pequenos franceses não são a exceção – preferem alimentos doces a salgados, ricos em calorias. O problema hoje em dia é que nossa cultura oferece muito desse tipo de comida, e os hábitos e rotinas dos pais não têm condições de competir em pé de igualdade com essa superabundância. Os axdultos precisam orientar as crianças para que elas desenvolvam hábitos alimentares saudáveis dentro e fora de casa.

É aqui que entra em cena a variedade. Todos nós sabemos que é importante comer uma diversidade de alimentos. Mas como convencer nossas crianças a fazer isso? A resposta francesa é: alfabetização nutricional. Ensinar a criança a gostar de experimentar a multiplicidade de alimentos.

Regra de ouro nº 6 – Para quem é enjoado na hora de comer: você não tem que gostar, mas tem que experimentar. Para quem é exigente e seletivo na hora de comer: você não tem que gostar, mas tem que comer. 

Na opinião dos franceses (corroborada com pesquisas científicas), as crianças precisam ser firmemente incentivadas a experimentar coisas novas. A maioria tem que experimentar alimentos novos para começar a gostar deles. Pesquisas mostram que uma criança precisa de uma dúzia (ou até mais) de degustações antes de aceitar comer algo novo. Isso é normal: não se apresse a tirar conclusões precipitadas sobre as preferências de seus filhos depois de algumas tentativas.

Muitos pais desistem rápido, depois de terem tentado poucas vezes. E não fique surpreso se as crianças “gostarem” de algo num dia e, no dia seguinte, recusarem. Tudo isso faz parte do processo de aprendizagem.

Regra de ouro nº 7 – Limite os petiscos, idealmente um por dia (dois no máximo) e nunca menos de uma hora antes das refeições. Nas refeições coma até se sentir satisfeito em vez de cheio.

Uma das regras alimentares que os franceses seguem a risca é a regra do “proibido beliscar”. O esquema deles é fazer todos os dias três refeições e um lanche generoso, tudo em horários fixos. Se os pais permitem que seus filhos comam quanto e quando quiserem, não aprenderão a ter autocontrole e correm o risco de se entupir de comidas pouco ou nada saudáveis.

Na opinião da autora o hábito de comer em horários aleatórios, a qualquer hora que quiser, funciona apenas para pessoas dotadas de uma aguda percepção acerca de sua própria sensação de fome e saciedade.

A regra do “proibido beliscar fora do horário marcado” também ajuda as crianças a evitar o hábito de comer por motivos emocionais (quando estão entediadas, por exemplo). Além disso, elas comerão melhor nas refeições porque terão mais apetite. E lembre-se, definir horários para os lanchinhos não tem nada a ver com privação, mas com moderação.

Regra de ouro nº 8 – Não se apresse, tenha calma, tanto para cozinhar, como para comer. Uma refeição lenta é uma refeição feliz.

Os franceses ensinam aos filhos aquelas coisas básicas de bom senso que já sabemos e que muitas vezes nos esquecemos; comer devagar; prestar atenção ao que comemos ( o que significa comermos sem fazer outras coisas ao mesmo tempo, como assistir, ler , ver  TV ou dirigir); servir porções menores.

As crianças norte-americanas, ao contrário, desde pequenas estão acostumadas a porções tamanho gigante. Vivem numa cultura do excesso de comida, da comida como combustível, do hábito de comer em movimento.

Tudo isso cria um círculo vicioso em que o consumo por impulso de alimentos ricos em calorias, mas que não satisfazem, leva as pessoas a comerem mais para satisfazer seus desejos e necessidades.

As porções cada vez maiores nos restaurantes e lanchonetes e as embalagens cada vez maiores nos supermercados também são um incentivo para que a gente acabe comendo mais. O resultado, alertam os nutricionistas, é que em muitos países “a base psicológica que regula o ato de comer das crianças está ficando desajustada”.

Uma maneira fácil de corrigir esse problema é comer mais devagar. Dessa maneira, o cérebro tem tempo de funcionar no mesmo ritmo  que o estômago.

Regra de ouro nº 9 – Coma principalmente comida caseira de verdade, e guarde as guloseimas para ocasiões especiais (dica: qualquer alimento processado/industrializado não é comida “de verdade”).

Os franceses enfatizam a importância do prazer (não do prazer descomedido, a gula, mas o prazer simples e sensorial) e do equilíbrio, nutricional e psicológico. Comer demais, ou de menos, é um sinal de que algo está desequilibrado. Comer apenas alimentos “supersaudáveis” ou apenas junk food também é um sinal de desequilíbrio.

Com moderação, e seguindo rotinas e regras que sabidamente irão ajudá-los a ter uma dieta nutritiva e balanceada, os franceses sentem-se livres para se concentrar no prazer. Note que isso não significa  que eles se privem de quitutes e guloseimas. Pelo contrário, os franceses estão convencidos de que permitir o consumo moderado de guloseimas ajuda todo mundo (não apenas as crianças) a desenvolverem uma postura saudável e equilibrada com relação à comida.

Regra de ouro nº 10 – Comer é algo prazeroso, e não estressante. Trate as regras alimentares como hábitos ou rotinas e não como normas rígidas; tudo bem afrouxar as regras de vez em quando.

Os franceses encaram as regras como a base para se adquirir bons hábitos e rotinas alimentares. O objetivo deles não é policiar a alimentação das crianças. Pelo contrário, elas ajudam as crianças a adquirir convicções e hábitos alimentares saudáveis

Na verdade, algumas pesquisas demonstraram que criar filhos de maneira excessivamente controladora (autoritária) pode ser um tiro que sai pela culatra. Forçar as crianças a limpar o prato, por exemplo, pode estragar a capacidade delas de “ler” seus próprios sinais internos a sua sensibilidade com relação à sensação de fome e de saciedade, ensinando-as literalmente a comer demais.

Essas regras servem para te mostrar como funciona a alimentação das crianças francesas, pense nelas como rotinas que sua família pode seguir na maioria das vezes (mas nem sempre), e aí você estará trilhando o lugar certo, afinal ninguém é perfeito.

crianças francesas comemAdicionar Pessoas 1

Trechos extraídos do livro “Crianças Francesas comem de tudo”. Uma família se muda para a frança e aprende 10 Regras de Ouro para criar filhos saudáveis e felizes à mesa. Karen Le Billon

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