A chegada do Caetano

Escrito pela mamãe Carolina Fontenelle.

Esse parto foi muito planejado e esperado. Eu e meu marido Rafael sempre vimos o parto normal com bons olhos, mas nos preocupamos em procurar uma boa equipe. Sabíamos que devido à nossa cultura de cesareanas muitos colegas não tinham mais experiência em conduzir trabalho de parto.

Em 2012 soubemos da nossa primeira gestação! Era nossa princesa, Letícia, que vinha. O universo, sempre sorrindo pra nós, nos levou à nossa obstetra, Rachel Reis, e à doula Érica de Paula. Elas nos mostraram um lado do parto que não conhecíamos. Nós o queríamos por ser mais fisiológico para mãe e bebê, mas elas nos mostraram que pode ser respeitoso! Desconstruíram nossa visão do parto centrada no médico, em posição de litotomia, com jejum, episiotomia e kristeller. Nos mostraram que, seguindo a medicina baseada em evidências, as intervenções antes tidas como rotineiras hoje são proscritas ou reservadas a casos específicos. Que a mulher deve escolher a posição. Que a mulher deve ser a protagonista! Ainda nos surpreenderam com a recomendação da OMS de que o melhor local é aquele em que a mulher se sinta segura, e no meio da gestação, contrariando anos de preconceito, nos decidimos por um parto domiciliar.
Tudo certo! Mas Letícia, cheia de personalidade, nos mostrou que não queria vir ao mundo desse jeito. Ficou pélvica. Fizemos acupuntura, exercícios, mocha. Com 37 semanas e 5 dias fizemos a VCE (manobra para virar o bebê), mas ela parou transversa. Naquela madrugada rompeu a bolsa e nossa médica, sempre muito ponderada, indicou a cesárea. E assim chegou ao mundo essa criança maravilhosa, trazendo alegria para nossas vidas! Há 3 anos Letícia me ensina todos os dias a acordar cedo, a ser mais paciente, a ser uma pessoa melhor, uma mãe melhor, uma filha melhor e uma pediatra melhor!

Quando Letícia completou 2 aninhos soubemos que ganharia um irmão. Contei ao marido durante uma sessão de fotos (rsrs), então a surpresa e a alegria foram devidamente registradas através das lentes da querida Glau! No mesmo dia encontrei a Rachel, a Érica e a Melissa (nossa enfermeira neonatologista) em um parto e já contei a novidade! Retomamos o plano original. Dessa vez vai. Gostamos da ideia de a Letícia participar da chegada do irmão e a preparamos durante os 9 meses assistindo aos vídeos de parto dos amiguinhos. Ela já brincava de parto com as bonecas e via tudo com naturalidade. O bebê (até então chamado carinhosamente de neném irmãozinho) ficou cefálico, encaixou.
Com 38semanas e 4dias iniciaram os pródromos. Contrações dolorosas, mas suportáveis, a intervalos irregulares na madrugada, que não permitiam descansar. Minha fiel escudeira Letícia estava lá me apoiando! Amanheceu o dia e as contrações cessaram por dois dias. Foi um final de semana normal, com passeios, almoços, ida a parquinhos, festa e tudo a que tinha direito. Amanheceu segunda completando 39semanas e reiniciando as contrações irregulares, agora com raias de sangue. Fui pra academia, fiz aula de solo, e a prof querida Ana Paula (que tem mais juízo do que eu), me mandou embora da hidro! Kkkk O dia seguiu com as atividades habituais e com as contrações irregulares o dia todo. Consegui tirar um cochilo à tarde. Às 22:30 começou pra valer. As contrações eram muito doloridas e eu não conseguia ficar deitada, descia e me acocorava a cada contração. O intervalo era de 10min, 7min, nunca mais curto. Descobri que é sim possível cochilar entre contrações, não é lenda!!! Amanheceu terça-feira e continuou do mesmo jeito. Estava sempre em contato com a equipe e me explicavam que fase ativa era só quando o intervalo era de 5min, que isso provavelmente eram pródromos. Meu marido maravilhoso desmarcou o trabalho (cirurgias, atendimento, tudo) e esteve comigo me dando apoio todo esse tempo. Eu não saía do quarto, estava concentrada no meu corpo. Não quis comer, marido me trazia picolés. Às 15h desanimei. Estava fisicamente exausta, não tinha dormido. Se aquilo não era trabalho de parto, se não estava fazendo meu filho chegar, era sofrimento demais!!! Abracei o marido chorando e perguntei de quem tinha sido aquela ideia de jirico de parir!!!!! Fui ao consultório da Rachel já descrente, e quando ela me examinou estava com 5cm de dilatação! Aí chorei de alívio!! Meu filho estava vindo! Vim para casa, em seguida chegaram a doula Érica, a amiga Dani (que veio ajudar com a Letícia), a fotógrafa Débora e a Rachel. Comida, bebida, risadas. Com essa festa em casa as contrações espaçaram mais ainda, vinham a cada 20, 25min. Achei que o bebê não estava se sentindo bem-vindo, achei melhor escolhermos o nome. Caetano!!! Vem, Caetano! Não vinha. Intervalo de 15min, 20min… e o medo de ter chamado todo mundo e ser alarme falso!!! Kkk Decidi me recolher e concentrar. Fui pro quarto, apaguei a luz. Contrações a cada 10min. Tentamos acupuntura para estimular, mas me incomodou. Ainda tava muito racional, com minha necessidade habitual de controlar tudo. Tirei a lente de contato. Cada contração era bastante dolorida, eu sempre me acocorava (meu corpo pedia!). Doía nas costas, na região sacral, e Érica fez massagem em cada contração e deixou calor local entre elas. O tempo entre as contrações era preenchido com descanso, picolés, e às vezes risadas e bate-papo. Letícia dormiu na sala – e, acreditem ou não, o papai dormiu com ela! Kkk Não sei como aconteceu, mas a cada exame de toque a dilatação estava um pouco maior. Até que, durante um toque de 9cm veio uma contração e a bolsa estourou. Líquido claro.
As contrações ficaram muito mais doloridas. A massagem não resolvia mais. Fui pro chuveiro. Tentei a banheira de casa, mas não me permitia movimentar. Enchemos a piscina inflável no quarto das crianças. E eu entrei. Não sei o porquê, ninguém me orientou, meu corpo pediu. Simples assim! Letícia, que ja estava acordada, viu a piscina, lembrou do amigo que nasceu nela e pediu pra assistir ao vídeo de parto dele. Depois de um tempo senti vontade de fazer força. Fiquei acocorada na piscina e a cada contração puxava o rebozo que a Érica segurava. Senti aquela queimação, era o círculo de fogo. Loucura ou não, esse foi um momento muito feliz! Foi ótimo me livrar da dor nas costas e aquela dor nova nossa significava que meu bebê tava bem pertinho! A melissa chegou discreta pra não incomodar e eu ainda gritei um oi! Esperei uma contração, a cabeça saiu e eu lembro da Rachel segurando a cabeça e me pedindo pra não sentar! Rafael chegou. Ué, se o marido tava ali, cadê a Letícia? Letícia, vem, seu irmão vai nascer!!! Esperei a próxima contração. Saiu o corpinho! Às 4:45 do dia 20 de abril de 2016 chegou o nosso príncipe!!!
Papai aparou Caetano, eu sentei e o abracei. Letícia entrou na piscina, fez um carinho e disse: eu quero pegar ele!!!
Caetano nasceu bem, acordadinho, olhando pra nós! Pode uma pessoa ser fofa desde o nascimento???
Eu ainda não acreditava…. tinha sido tudo tão lento, tão atípico, sem as contrações frequentes, sem a “partolândia” de que tinha ouvido falar… mas meu filho estava ali! Perfeito, lindo, gordinho, olhando pra mim! Meu marido e filha estavam de testemunha. Tinha acontecido!!! Eu olhei pra equipe e só consegui dizer: gente, eu pari!!!
Saí da piscina, fui para a minha cama. Esperamos o cordão terminar de pulsar para cortar. A placenta saiu e Letícia manda essa: tá nascendo mais um bebê?!? Kkkk
Caetano ficou no meu colinho por bastante tempo, foi avaliado pela Melissa ali mesmo. Quando Rachel foi suturar minha laceração superficial entreguei Caetano para pesar: 3615g de fofura! Em menos de uma hora após o parto estávamos sequinhos, vestidos, deitados na minha cama e o gulosinho mamou por um tempão!!! Avisamos aos avós e tiramos o dia para descansar da nossa maratona…

Meus agradecimentos!!!

Acredito que se não estivesse na minha casa e com minha super equipe teria passado por intervenções desnecessárias. Afinal, quem espera 30h de trabalho de parto sem intervir com absolutamente nada? Toda gratidão a essas mulheres maravilhosas que empoderaram anos atrás e acreditaram em mim até quando eu mesma duvidei!!!

Às minhas amigas que compartilharam suas histórias, me incentivaram, apoiaram, às que fizeram meu chá de bençãos e às que torceram por mim de longe! (Não vou citar nomes para não ser injusta com ninguém!)

Obrigada à minha mãe e ao meu pai que com seu exemplo de vida e força me motivam a ir atrás dos meus sonhos sempre. E por me respeitarem e apoiarem até quando não concordam com minhas decisões!

Ao meu marido Rafael companheiro de todas as horas, que sonhou o meu sonho, me apoiou e pariu juntou comigo!!! Te amo muito!!!

À minha filha maravilhosa que curtiu cada minuto da gestação e do parto!

Ao meu anjinho Caetano, que me escolheu como mãe, e que me faz feliz todos os dias.

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