VBAC – Parto da Lívia

Relato de parto da Lívia (Escrito pela Mamãe Amanda!)

VBAC natural hospitalar
Obstetra acomp. Nívia Ximenes
Obstetra Plantão: Roberto (não sei o sobrenome)
Enfermeira: Raquel Silva
Doula: Nathaly Rodrigues

Não sei muito bem por onde começar a escrever esse relato, afinal, foram meses de preparação e 52 horas sentindo dor, então se prepare que lá vem textão…

O parto da Lívía foi um VBAC, mas pra mim foi um ciclo que se fechou. Na minha primeira gravidez tinha intenção de ter um parto normal mas daquele jeito, como toda mulher que tem apenas “intenção” de parto normal, não me preparei, não estudei, não tinha um parceiro (mãe solteira) e ainda tive complicações de saúde e depressão. Ao final? Uma cesariana agendada. Minha primeira experiência como mãe foi bem difícil, tive um baby blues, olhava para aquele bebê sem entender direito como uma hora estava dentro da minha barriga, e saiu, assim, do nada. Quando descobri a gravidez da minha segunda filha, 4 anos depois e em um novo relacionamento, tudo isso mudou. Eu sabia que tinha condições de parir, mas precisaria fazer tudo diferente dessa vez.

A segunda gravidez não foi nada planejada. Estava finalizando meu primeiro ano de mestrado, e já havia combinado com o marido que em fevereiro de 2018 começaríamos a ser tentantes, mas Lívia resolveu se adiantar um ano antes. Acho que Deus resolveu ouvir as orações da minha filha mais velha Maria Liz, que pedia pra o papai do céu uma irmãzinha, para ter uma amiga que pudesse dormir na casa dela pra sempre. kkk Meu marido que avisou que eu estava grávida, mas fiquei relutante em fazer o teste porque sabia qual seria a resposta. O resultado saiu, 6 a 7 semanas de gestação e uma nova oportunidade. A primeira saga (como de todas as mães, infelizmente) era achar um médico que atendesse meu plano e aceitasse o desafio de tentar um parto normal após a cesariana. Acabei rodando em uns cinco, todos cobravam parto a parte, até mesmo para fazer o acompanhamento do pré-natal, e quando eu falava que iria parir com plantonista, aí que não firmava mesmo. Acabei parando em um por falta de opção no plano de saúde, com o Dr. Fulano. Estava com 14 semanas se não me engano, falei do desejo do parto normal, ele apoiou na primeira consulta, e não se incomodou por não fazer meu parto. Ufa! Achei meu médico! Enquanto isso, minha irmã e doula (Nathy) me emprestou uns livros para me informar melhor. Ela que era uma inspiração pra mim, tinha atravessado dois partos domiciliares, com bebês grandes e sem nenhuma complicação, me fez sentir confiança de que eu podia parir também. Li o livro “parto ativo” da Janet Balaskas, e ele com certeza foi fundamental para minha autoconfiança.

Chegamos nas 31 semanas, ecografia, bebê pélvico. Tudo bem, ela ainda pode virar! Era o que eu mantralizava a todo o tempo. Fui na consulta com Dr. Fulano, aí vem aquela conversa. “Mãezinha, bebê pélvico é cirurgia, não tem como fazer o parto de bebê assim”. Rebati afirmando que ainda tinha muito tempo pra ela virar, e que se por acaso, na hora do trabalho de parto ela estivesse pélvica aceitaria a cirurgia sem hesitar. Aí ele falou “Mas mãe, não pode esperar o trabalho de parto, e se descer a perninha? É risco pro seu bebê!” com esse comentário meu sangue ferveu, sabia que estava nas mãos de um cesarista, e que ele faria de tudo pra me agendar outra cesariana. Respondi a ele “Calma Doutor, não é filme de hollywood não que a bolsa estoura e a criança já está nascendo, dará tempo pra eu tomar a melhor decisão”. Essa foi nossa última consulta. E agora, como achar um médico que termine de acompanhar meu pré-natal? Lembrei que já tinha agendado umas consultas com a Dra. Nívia, mas as secretárias dela remarcaram e um dos dias não pude ir, então vou tentar essa médica novamente. Foi a melhor escolha que eu poderia fazer! Médica atenciosa, entendia o tanto que era importante esse parto pra mim, fez meu pré-natal até o final, me acalmou nas consultas quando a ansiedade queria me balançar, enfim, uma médica de plano de saúde que é muito humana. Entre uma ecografia e outra, Lívia virou! Ufa! Mas pera, ela está virada com dorso a direita. A médica ecografista me disse que bebê com dorso a direita nasce de parto normal também, mas normalmente é mais longo e dolorido o trabalho de parto porque o bebê precisa fazer um giro completo na barriga da mãe para encaixar (270º) enquanto bebê com dorso a esquerda só precisa virar 90º. Porque comigo tudo é mais difícil? Fiquei me questionando.

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No dia 17/10 às 2h da manhã acordei com cólicas, mas eram cólicas diferentes, vinham como uma onda, então sabia que ali poderia estar entrando em trabalho de parto. Acordei meu esposo só para informa-lo de que eu achava que Lívia estava a caminho, e que pela manhã contaríamos para a nossa doula e enfermeira. Eu, ansiosa por demais, não consegui dormir mais! Era um misto de alegria, medo, ansiedade, insegurança… adrenalina pura! Pra quê? Mal sabia o que me esperava! Liguei pra minha irmã/ doula de manhã, e ela veio direto aqui pra casa. Ela também muito empolgada, porque seria mais uma sobrinha e a primeira afilhada dela, estávamos felizes, eu curtindo cada contraçãozinha, mal acreditando que tinha chegado a hora. Fomos ao shopping, comemos um temaki delicioso, dancei, brinquei. A Raquel chegou era umas 15h para me avaliar, e viu que não era trabalho de parto ainda, só pródomos. Recomendou descanso, mas como eu iria descansar? Estava tão extasiada com a chegada da minha filha. Meu esposo chegou do trabalho umas 20h e fomos caminhar no taguaparque. Até esse momento as contrações estavam doloridas porém fracas, caminhamos uns 2 Km e eu parava pra agachar a cada contração, a coisa estava começando a apertar.

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Vim pra casa, chuveiro para aliviar a dor. Falei pro meu esposo e pra nathy irem dormir, que se apertasse muito eu chamava eles. As 2h da manhã estava ouvindo minha playlist, quando começou a tocar velha infância, eu a cantar pra ela “você é assim, um sonho pra mim enquanto eu não te vejo, eu penso em você, desde o amanhecer até quando eu me deito”, chorei muito, estava sentido dor, muita dor! Chamei a Raquel, pedi pra ela ir me avaliar novamente. Quando ela chegou foi muito prudente e optou por não fazermos o toque aquela hora, preferiu acompanhar a intensidade das contrações que já estavam pegando o ritmo de 4, 5 e no máximo 7 minutos de intervalo. Depois de 3h acompanhando, ela resolveu fazer o toque e… COLO FECHADO! Meu mundo desabou! Não acreditava que estava sentindo a dor dos infernos e não tinha dilatação, nenhum dedinho. Chamei meu esposo, ela, falei que queria uma cesariana, que não aguentaria ficar sentindo dor… Ela e a nathy me acalmaram, dois anjos nas nossas vidas, sem elas com certeza teria me rendido a cirurgia. Elas recomendaram descanso, Raquel foi embora, já era umas 5h30 da manhã do dia 18.

Acordei e as contrações já tinham perdido o ritmo novamente. Estava dasanimada, desacreditando do meu corpo. Mandei mensagem na madrugada pra Dra. Nívia e ela me respondeu pela manhã, com aquela voz doce de que eram só pródomos, e que eu tinha que ficar mais tranquila porque poderia durar dias, perguntei nas mensagens se poderia fazer acupuntura e ela recomendou que sim. Saí ligando para todos que apareceram no google, até que um foi indicando o outro, e parei no Thiago. Por intervenção divina um paciente dele tinha cancelado a consulta, e ele estava livre após o almoço. 14h da tarde começamos a fazer as sessões, ele conversou muito comigo, pediu pra eu mentalizar minha filha saindo, conversar com ela para entrarmos em sintonia, que precisaríamos passar por isso juntas. Nathy comigo esse tempo todo, essa linda! Estávamos já um dia e meio assim, nesse nasce e não nasce. Ela foi pra casa, falei pra ela que só chamaria agora quando realmente sentisse que iria engatar. E durante todo esse período, as contrações não paravam.

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As 18h levantei, tive outro piriri (como no dia anterior) e fui tomar banho. Ao sair do banho senti uma contração tão forte que achei que iria cair no chão, voltei pro chuveiro e não queria sair mais. Meu esposo estava indo para a banca de uma orientanda, e ligou pra Nath pra saber se ela poderia ficar comigo, pois não queria me deixar sozinha e também não sabia se era outro alarme falso. Quando ela chegou, começou a contar as contrações novamente. Depois de 2h com contrações ritmadas chamou a Raquel. Quando ela chegou, falou que precisaríamos fazer um toque novamente, eu disse que ela podia fazer mas eu não queria saber, para não ter outra decepção. Logo após o toque fui fazer xixi e o tampão caiu inteiro no vaso, parece que agora vai, pensei. Fizemos várias posições para ajudar na dilatação, bola, rebozo… pegamos a bola e colocamos ela embaixo do chuveiro, agua quente! Como é bom sentir aquela água caindo durante as contrações, ajudando a diminuir a dor. Eu estava exausta, sem comer, sem dormir.. a Nathy me deu 2 picolés de limão para eu conseguir ingerir algo, no calorão de outubro eles foram de um frescor absurdo.
Entre contrações, exercícios, agachamentos chegamos a madrugada do dia 19. Era 1 e pouco da manhã (eu acho), já não queria mais ficar em casa, estava me sentindo sufocada. Acho que era porque já era a terceira madrugada a dentro que estava em contrações, então Raquel fez mais um toque para irmos para o hospital, 6 cm. Ela me lembrou do plano de parto, eu queria ir com 8 cm mas a essa altura eu já estava na partolândia, surtando! Não queria mais ficar em casa de jeito nenhum! Fomos para a Maternidade Brasília, o caminho pareceu uma eternidade, porque contrações e quebra-molas definitivamente não combinam.

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Chegando ao hospital, fizemos todos os procedimentos padrões, nos encaminharam para uma sala de pré-parto, fui para o banheiro, voltar para o chuveiro e água quente, minha principal fonte de anestesia, mas agora um chuveiro com barras de apoio, aquilo foi o que mais me ajudou então fiquei feliz de ter feito a escolha certa e ido logo para o hospital. A cada contração eu me agachava, gritava vocalizando como as meninas me ensinaram, chamava minha filha, pedia, implorava pra que ela descesse logo! Fiz aqueles procedimentos chatos de monitoramento da contração, sentada, de barriga pra cima. Gente, aquilo é tortura! A última posição na face da terra que eu queria estar era de barriga pra cima e deitada. Sempre que podia me encolhia, agachava, ficava de quatro mas nunca deitada de barriga pra cima!! Só a Raquel me monitorava, e eu achei ótimo que o hospital respeitou a presença da minha enfermeira e doula.. A cada contração eu pensava na frase que minha anja Nathy me falou no começo do trabalho de parto “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional!” Como não sofrer em meio a dor? Eu tentava tirar daquela situação forças para continuar, a cada agachamento, cada contração. Fizemos o toque, 9 cm e bolsa rígida. Pedi para a Raquel estourar minha bolsa, não queria bebê empelicado, só queria que ela nascesse logo! Nesse momento não me lembro muito bem das coisas, do tempo.. Sei que quando o médico foi me avaliar estava com 9 pra 10 cm, e fui encaminhada pro centro cirúrgico. Assim que sentei na cadeira de rodas senti o puxo. Subimos, mas não tinha sala de parto normal disponível, muita mulher parindo tbm (19 de outubro era virada de lua, Lua NOVA! Eu que sempre acreditei nisso agora acredito mais ainda! rs), me levaram para uma sala de cesariana. Acho que foi Deus que fez eu entrar naquele lugar para ressignificar o meu não-parto anterior.

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Na porta da cirurgia tive que escolher entre Doula, Enfermeira e acompanhante, pois só podiam entrar duas pessoas comigo. Escolhi meu esposo (claro) e minha irmã/Doula e ainda madrinha da minha filha e a Raquel com aquele sorriso meigo entendeu super bem. Entrei na sala e a enfermeira começou a colocar a perneira na maca, eu me desesperei! Comecei a gritar com ela que não subiria lá, que não teria minha filha deitada! Ela olhou assustada pra mim e perguntou “onde você vai ganhar essa criança então minha filha?” eu rapidamente respondi “no chão!” Caí de quatro no chão e veio outro puxo. Aquele chão frio de hospital, a enfermeira pediu pra pelo menos forrar com um pano. Meu marido chegou com a roupa do centro cirúrgico, e eu nem o reconheci, perguntei se ele era o médico..kkkk estava em outro mundo, a partolândia. Terra de gente louca, muito louca mesmo, você só segue seus instintos, não há razão que controle seu corpo. Meu esposo e a nath tentaram me convencer a subir na maca e ficar de quatro nela.. eu quase chorando pedi pra nathy tentar achar uma baqueta pra mim, não era possível que todo mundo daquele hospital estivesse parindo em uma banqueta naquela mesma hora! A baqueta chegou e o médico chegou junto.. Veio aquela contração, meu esposo sentado atrás de mim e a nathy me dizendo o que fazer.. “Força, aguenta firme Amandinha, ela já está vindo! Estou vendo os cabelinhos, é cabeludinha!” fiz força e saiu a cabeça, o médico acertou a posição dela, acho que estava nascendo meio de lado, tirou a circular de cordão, fiz força novamente e ela saiu! Abracei minha pequena chorona, tão linda, tão frágil! Meu parto havia sido exatamente como eu visualizava: Sentada em uma baqueta, com meu esposo atrás de mim me abraçando!

 

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Hoje sei que foi a melhor experiência que pude passar na vida! O puerpério foi mais tranquilo, acho que os hormônios do amor que o corpo libera durante o parto continuam circulando na corrente sanguínea por um longo período. Eu estava realizada! Pari! uma linda criança em um parto natural e muito humanizado! Lívia nasceu de 39+4 dias as 6:53 da manhã, com 50 cm e 3,360 kg, uma bonequinha! As 9h recebi a visita da linda Dr. Nívia, que vibrou comigo, me abraçou e parabenizou minha conquista, ela sabia como era importante pra mim. Só tenho a agradecer a Deus por esse processo, Ao meu esposo José Pedro, por respeitar minhas escolhas, e mesmo sem entender o porque escolhi a dor apoiar todas elas, sem ele ao meu lado seria impossível.. essas 52h que atravessamos, e que sem a presença dos anjos Nathy e Raquel seria impossível de acontecer.

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Quem puder, planeje a presença de uma doula e uma enfermeira em sua gestação, cada uma tem o seu papel, sua importância. Eu não fiz álbum de fotografias, não fiz um mega chá, não paguei fotógrafo para a hora do parto… Priorizei minha segurança emocional e garanti a saúde da minha filha! A chegada dela ao mundo (pra mim) foi muito mais importante do que qualquer outra coisa. Não é luxo, é segurança, aconchego, afeto, Ocitocina pura! Meninas, sem vocês eu não conseguiria chegar nem na metade do caminho que eu trilhei, agradeço a Deus por vocês nas nossas vidas, nossa família agora está completa!

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About

Em processo de melhoria contínua. As únicas coisas definitivas em minha vida são: Meus tesouros (filhos), minha fé (Cristã), e meu Hobby (Cantar). Me formei Doula e Educadora Perinatal após ter vivenciado a maior experiência da minha vida: o parto natural domiciliar dos meus dois filhos. Desde então tudo que envolve o universo feminino e a maternidade enche meu inunda meu coração de amor. Minha missão: Levar o amor de Deus às mulheres em atos, poesias e reflexões.

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